
Como de costume, quando se observa algum animal com características “estranhas” ou formas incomuns, uma das alternativas a se fazer é encaminhar o indivíduo capturado para que alguém possa constatar de que espécie se trata.
Sendo assim, no dia 12 deste mês foi encaminhado para o laboratório do Curso de Ciências Biológicas, um inseto vindo do município de Nova Esperança do Sul, especificamente nas dependências da CORSAN, que apresentava algumas medidas que fogem um tanto dos padrões: da extremidade de uma das patas dianteiras até a outra, foram mensurados 32cm (característica dos machos em ter este primeiro par de patas avantajado), cada antena media aproximadamente 15cm e as demais patas mediam sete centímetros.
Apesar de ser um tanto grande, apresenta alguns desenhos sobre o dorso nas cores que variam em tons de preto, branco e vermelho-alaranjado. De certa forma são considerados como pragas uma vez que atacam árvores nativas como é o caso da figueira (Ficus enormis) e por isso um de seus nomes populares vem a ser “besouro-da-figueira”. Também possui outros nomes como arlequim, arlequim grande, e broca-da-jaqueira.
Através de pesquisas bibliográficas foi constatado, através do acadêmico pesquisador Alam Pozza com a colaboração do Prof. Ms. Vanius Veiga, Coord. do Curso de Agronomia, que o nome científico do inseto é Acrocinus longimanus (L., 1758), pertencente à família Cerambycidae e à ordem Coleoptera (a mesma dos besouros comuns). De acordo com comunicados técnicos elaborados pela Embrapa, o ciclo biológico de A. longimanus varia de um a dois anos, sendo que os adultos ocorrem durante os meses de outubro a fevereiro. Neste período as fêmeas realizam a postura de até 14 ovos que são colocados em escavações em forma de elipse (buracos) de 2,5 a 3,6 cm de diâmetro. Destes ovos posteriormente, eclodem as larvas que se alimentam da casca e depois do lenho.
“Não se sabe ainda ao certo o porquê da infestação em massa deste inseto em algumas regiões, mas também não podemos desconsiderar que por determinadas influências antrópicas, como a derrubada de florestas nativas, estes animais irão procurar por alimento e consequentemente atacar outras espécies de plantas”, refletiu Alam.